O tempo na arte

Minha colega Leda Monteiro, soprano, escreveu outro dia a respeito da paciência necessária ao estudante de canto. Quando comecei a estudar pintura, prestei atenção em vários anúncios que prometiam que o aluno sairia com pelo menos um quadro pronto por aula. Hoje, quando me deparo com os problemas que a tela me propõe, lembro dos tais anúncios e acho graça. No canto é a mesma coisa. Além dos treinos mecânicos, como os de respiração e vocalização, existe a necessidade de, com a repetição, introjetar, apreender fisicamente o cantar. Gosto de usar com meus alunos a imagem de uma casa onde, depois de muitos anos, descobre-se um novo cômodo, escondido atrás de uma parede. No início está tudo escuro; em seguida, uma vez quebrada a parede, pode-se ver aqui e ali umas teias de aranha, insetos, pó, muito pó… Limpa-se. Faz-se uma reforma e só bem depois aquele lugar é nosso. Mesmo habitado levará algum tempo para que nos acostumemos com aquele novo lugar. Para mim, no canto é exatamente a mesma coisa. Precisamos de tempo para que nosso corpo se habitue e consiga produzir sons consistentes e sem esforços. Obviamente me refiro ao canto lírico e ao belting, uma vez que para o canto popular a voz é, muitas vezes, algo que desqualifica (!) o  cantor.

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