O olho do pintor

Releio com frequência  as cartas que Van Gogh escreveu para seu irmão Theo, e sempre me surpreendo com momentos de extrema e despretensiosa poesia, como o trecho que segue.

“Aqui as moradias são muito grandes entre carvalhos de um bronze soberbo. No musgo, tons de um verde-ouro; no chão, de um escuro lilás-cinza puxando para o vermelho, o azul, ou o amarelo; tons de uma pureza inexprimível no verde dos pequenos trigais; tons negros nos troncos úmidos, contrastando com a chuva dourada das folhas de outono, agitadas e sussurrantes que, como perucas descabeladas sobre as quais se tivesse soprado, pendiam por um fio dos galhos dos choupos, das bétulas, das tílias, das macieiras; e ainda deixavam passar a luz do céu.

“Um céu sem nenhuma mancha, luminoso, não branco, mas de um lilás que desafia a análise, um branco no qual se vê fluir o vermelho, o azul, o amarelo, um céu que reflete tudo e que sentimos sobre nós em toda parte, que é vaporoso e que se concilia com a leve bruma abaixo.”

 Van Gogh – Cartas a Theo – pág. 112

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