Landfill Harmonic

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Lyrical Jazz

Mineira de Belo Horizonte, engenheira civil, servidora pública e cantora. Rita Medeiros. Dona de uma bela voz de soprano, Rita participa ativamente da vida musical brasileira, erudita e popular. Entre outras personagens, interpretou Carmen, de Bizet, e Rosina, de O Barbeiro de Sevilha, de Rossini. Sem deixar de lado a carreira lírica, Rita Medeiros tem realizado espetáculos em que faz uma fusão entre o canto lírico e o jazz, o Rita Medeiros & Lyrical Jazz. Sobre esse show fala Túlio Mourão, da Rede Minas de Televisão: “Cantora com grande preparo técnico, extensão e vivência no canto lírico, Rita retorna aos palcos com um projeto que une o canto lírico aos standards de jazz. Canções imortais de Cole Porter, Theloniuous Monk, Gershwin, ganham versões ambientadas no Bel Canto, ou podemos dizer bel canto ma non troppo porque a cantora se desvia, elegantemente, dos excessos operísticos. No contexto cênico, vamos dizer que faz uma diva que flerta, às vezes comedidamente, às vezes descaradamente, com o casual. Charme e personalidade não lhe faltam, absolutamente. E o resultado é cult!”

Perguntei a ela como começou essa mescla de gêneros, qual deles veio primeiro e com o qual ela mais se identifica. Sua resposta: “O canto lírico veio primeiro. O corpo pronto pro canto lírico faz o trabalho no canto popular muito tranquilo. No ano passado estudei improviso com uma cantora de jazz americana chamada Holly Holmes e só então percebi que improvisar não é um bicho de sete cabeças. A idéia não é bem mesclar. Eu canto com voz branca até a hora em que resolvo usar o canto lírico… aí ele vai inteiro, sem mistura. Em algumas canções, como Summertime e Bella Notte, uso a forma da música para brincar: faço a melodia com a voz branquinha, volto modulando (subindo, prá explorar os agudos), cantando trechos com a voz colocada. Já nos standards, uso o canto lírico nos improvisos, mas com cuidado, sem exageros. Qual dos estilos mexe mais comigo…  hoje o jazz, quando cantei a última ópera, o canto lírico; depende de qual é a minha entrega no momento. No ano passado, fiquei meses apaixonada por Fenena (personagem da ópera Nabucco, de Verdi). Agora, às vésperas do Oh, Burt! só sei de Burt Bacharach, não sosseguei enquanto não consegui assistir às duas versões de Horizonte Perdido; estou treinando prá não chorar quando cantar Alfie. Sou mais inteira no jazz… simplesmente canto sem me preocupar com tantas cobranças do canto lírico. Se o timbre variar em uma frase, maravilha! Se vier um soprinho, lindo…”

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Abertura do ateliê

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Cantando entre amigos

Esta semana aconteceu o recital lírico no espaço Contraponto. Noite feliz. Entre amigos e para vários amigos. Grande o prazer de cantar com Caroline De Comi, Sebastião Teixeira e o maravilhoso pianista Marcos Aragoni. Nos divertimos, nos emocionamos e, creio, passamos coisas boas para os que nos assistiram. Prazer extra foi cantar no espaço Contraponto que, como o nome já diz, é um lugar de sobreposições de ideias, de diálogos sobre arte. Meus agradecimentos aos colegas mencionados, à Camila que apresentou o programa, a Fernando Bernardo Prandi, que fotografou toda a noite, a Sergio e Dominique Fingermann que abriram generosamente o espaço. 

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Recital

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Conversas com Bach, II

Continua até o dia 31/07, a exposição Conversas com Bach. Deixo registrado o meu “muito obrigado” a todos os que puderam estar presentes nessa minha primeira individual. Um agradecimento especial a Ricardo Cardoso, Lucilla Glogowski e a minha mulher Camila, companheira de todas as horas.

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Conversas com Bach

As obras desta exposição foram realizadas ao som da música de Johan Sebastian Bach, especialmente as Partitas, o Cravo Bem Temperado e as obras para violino e violoncelo. Encontrei em Bach um proseador, um amigo raro que, com suas melodias, me fez ver cores e formas. Tudo está ali. Suas composições me evocam imagens, me fazem ver o que ainda não está. Frequentemente não sei qual caminho trilhei.

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Lucerna é a revista literária digital da Fundação José Saramago. Foi lançada hoje em comemoração do Dia Nacional do Livro. Abaixo um pouquinho do que ali está.

Cadernos de Lanzarotte I (1994)

13 de agosto

Continuo a trabalhar no Ensaio sobre a Cegueira. Após um princípio hesitante, sem norte nem estilo, à procura das palavras como o pior dos aprendizes, as coisas parecem querer melhorar. Como aconteceu em todos os meus romances anteriores, de cada vez que pego neste, tenho de voltar à primeira linha, releio e emendo, emendo e releio, com uma exigência intratável que se modera na continuação. É por isto que o primeiro capítulo de um livro é sempre aquele que me ocupa mais tempo. Enquanto essas poucas páginas iniciais não me satisfizerem, sou incapaz de continuar. Tomo como um bom sinal a repetição desta cisma. Ah, se as pessoas soubessem o trabalho que me deu a página de abertura do Ricardo Reis, o primeiro parágrafo do Memorial, quanto eu tive de penar por causa do que veio a tornar-se em segundo capítulo da História do Cerco, antes de perceber que teria de principiar com um diálogo entre o Raimundo Silva e o historiador… E um outro segundo capítulo, o do Evangelho, aquela noite que ainda tinha muito para durar, aquela candeia, aquela frincha da porta…

17 de dezembro

Voltei – timidamente – ao Ensaio. Modifiquei umas quantas coisas, e o capítulo ficou bastante melhor: a importância que pode ter usar uma palavra em vez de outra, aqui, além, um verbo mais certeiro, um adjetivo menos visível, parece nada e afinal é quase tudo.

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Mia Couto, de novo

‎”(…) Os fantasmas que serviam na minha infância reproduziam esse velho engano de que estamos mais seguros em ambiente que reconhecemos.Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura, do meu território. O medo foi afinal o mestre que mais me fez desaprender.
Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte vislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura algo me sugeria o seguinte: que há neste mundo mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.”

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A busca do absoluto

Fragmento do texto escrito por Jean-Paul Sartre para a apresentação do catálogo da exposição “Alberto Giacometti”, em Nova York, na Pierre Matisse Gallery, em janeiro de 1948.

“… Giacometti costuma representar nosso embaraço colocando, por exemplo, uma cabeça longínqua sobre um corpo próximo, de modo que já não saibamos onde nos situar nem, literalmente, como focalizar. Mas, mesmo sem isso, essas imagens ambíguas desconcertam, de tanto melindrarem os mais caros hábitos de nossos olhos: há tanto tempo estamos familiarizados com criaturas lisas e mudas, feitas para nos curar do mal de ter um corpo; esses gênios domésticos acompanharam as brincadeiras de nossa infância, testemunham nos jardins que o mundo não tem riscos, que não acontece nada a ninguém e, por isso, a única coisa que lhes aconteceu foi morrer quando nasceram. Mas a estes corpos algo aconteceu: estariam saindo de um espelho côncavo, de uma fonte da Juventude ou de um campo de deportados? À primeira vista, acreditamos tratar-se dos mártires desencarnados de Buchenwald. Mas no instante seguinte mudamos de opinião: essas naturezas finas e esguias sobem ao céu, surpreendemos toda uma revoada de Ascensões, de Assunções; dançam, são danças, são feitas da mesma matéria rarefeita que os corpos gloriosos que nos são prometidos. E, quando ainda estamos contemplando esse arrebatamento místico, eis que esses corpos emaciados desabrocham, diante de nossos olhos restam-nos apenas flores terrestres. Essa mártir era apenas uma mulher. Mas uma mulher inteira, entrevista, furtivamente desejada e que se afasta e passa, com a dignidade cômica dessas compridas moças estropiadas e quebradiças que chinelas de salto alto passeiam preguiçosamente da cama ao banheiro, com o horror trágico das vítimas brunidas de um incêndio, de uma fome, uma mulher inteira dada, recusada, próxima, distante, uma mulher inteira, cuja corpulência deliciosa é obcecada por uma magreza secreta e a atroz magreza por uma suave corpulência, uma mulher inteira, em perigo na terra e que já não está completamente na terra, e que vive e nos conta a surpreendente aventura da carne, a nossa aventura. Pois, como a nós, aconteceu-lhe nascer.”

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